O RELACIONAMENTO INTERPESSOAL NA FACILITAÇÃO DA APRENDIZAGEM COMPLETO
O RELACIONAMENTO INTERPESSOAL NA FACILITAÇÃO DA APRENDIZAGEM
Embora possa parecer, de minha parte, impróprio dizê-lo, gosto muito deste capítulo,
porque exprime algo das mais profundas convicções que sustento, relativamente aos que
trabalham no campo da educação. Sua parte essencial constituiu, de começo, objeto de uma
conferência na Universidade de Harvard, mas foi revista e ampliada para esse livro.1
Quero começar este capítulo com uma afirmação que pode parecer surpreendente a uns e,
talvez, ofensiva a outros. É simplesmente esta: ensinar, a meu ver é função exageradamente
supervalorizada.
Disto isto, corro ao dicionário para ver se realmente tem significado o que afirmei. Ensinar
significa "instruir". Pessoalmente, não estou muito interessado em instruir o outro sobre o que deveria
saber ou pensar. "Comunicar conhecimento ou habilidade" - minha reação é: por que não ser mais
eficiente, usando um livro ou uma aprendizagem programada? "Fazer saber" - aqui, fico com o cabelo
arrepiado; não tenho vontade de fazer ninguém saber coisa nenhuma. "Mostrar, guiar, dirigir" -
parece-me que se tem mostrado, guiado a dirigindo a gente demais. Assim, chego à conclusão de
que tem significado o que eu disse. Ensinar é, a meu ver, atividade relativamente sem importância e
enormemente supervalorizado.
Mas há mais do que isso na minha atitude. Reajo negativamente ao ensino. Por quê? Porque,
penso eu, ensinar suscita questões, todas elas falsas. Assim que focalizamos o ensino, surge a
questão: ensinar o quê? Que é que, do nosso ponto de vista superior, uma outra pessoa precisa
saber? Admiro-me de que, ainda hoje, nos justifiquemos com a presunção de que somos uns sábios,
em relação ao futuro, ao passo que os jovens são uns tolos. Estamos realmente seguros a respeito
do que eles deveriam saber? Aí, aparece o ridículo problema da extensão: que o que é ensinado é
aprendido; o que é apresentado é assimilado. Não sei de suposição tão obviamente errada. Para
evidenciar sua falsidade, não é preciso pesquisar; basta conversar com uns poucos estudantes.
Mas eu me pergunto: "terei tanto preconceito contra o ensino, a ponto de não descobrir situação
em que ele valha a pena? "Imediatamente, penso nas minhas experiências na Austrália, não há
muito. Interessei-me principalmente pelas indígenas australianos. Trata-se de um grupo que, por mais
de 20.000 anos, tem vivido e sobrevivido num ambiente desolado, em que um homem moderno
pareceria dentro de poucos dias. O segredo da sobrevivência dos aborígenes tem sido ensinar.
Transmitiram-se aos jovens todos os detalhes de conhecimento sobre o modo de obter água, como
seguir o rastro da caça, matar o canguru, encontrar o caminho através do deserto sam trilhas. Tal
conhecimento é transmitido aos jovens como o meio de comportar-se a qualquer inovação, é
desaprovada. Claro que tal ensinamento lhes proporciona o modo de sobreviver, num meio hostil e
relativamente imutável.
Agora estou mais perto do X do problema que me excita. Ensinar e transmitir conhecimento tem
sentido num meio imutável. Eis por que essa tem sido uma função inquestionada durante séculos.
Mas, se há uma verdade a respeito do homem moderno, é que ele vive num meio continuamente em
mudança uma coisa de que posso ter certeza é que a Física ensinada a um estudante de hoje estará
superada dentro de uma década. O ensino da Psicologia estará certamente ultrapassado daqui a 20
anos. Os chamados "fatos da história" dependem, amplamente, da disposição e da índole atuais da
cultura. A química, a Biologia, a Genética, a Sociologia passam por um fluxo tal que uma sólida
afirmação feita hoje estará quase certamente modificada ao tempo em que o estudante atinja o
estágio dentro do qual possa usar o seu conhecimento.
Enfrentamos, a meu ver, situação inteiramente nova em matéria de educação, cujo objetivo, se
quisermos sobreviver, é o de facilitar a mudança e a aprendizagem. O único homem que se educ
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