O RELACIONAMENTO INTERPESSOAL NA FACILITAÇÃO DA APRENDIZAGEM COMPLETO
ão empática, menos condicionais e julgadores em suas atividades. Sem descer a
pormenores do estudo, pode ser ilustrativo mencionar que os escores obtidos quanto àquelas
atitudes variaram nitidamente. Por exemplo, as relações de um grupo de clientes com respectivos
terapeutas, percebidas pelos clientes, receberam um escore médio de 108. O relacionamento com os
quatro professores mais adaptados, visto por parte dos alunos, teve um escore de 60. Foi de 34 o
escore do relacionamento com os quatro outros professores. Destes, o que recebeu mais baixa
classificação teve escore médio de 2, por parte do seus alunos.
Esse breve estudo sugere, certamente, que o professor considerado mais eficiente revela, nas
suas atitudes, aquelas qualidades que descrevi como capazes de facilitar a aprendizagem, ao passo
que o professor menos adaptado mostre possuí-las em menor escala.
Estudo mais abrangente, de MacDonald e Zaret, focalizou o registro de interações de nove
professores com seus alunos. Os autores verificaram que os comportamentos tanto de professores
como de alunos poderiam ser explicitados de modo fidedigno. Quando os comportamentos do
professor tendiam a ser "abertos" - esclarecedores, estimulantes, receptivos, capazes de facilitar - as
respostas dos alunos tendiam a ser "produtivas" - inventivas, prontas para a análise, a experiência, a
síntese, a derivação de implicações. Quando tendiam a ser "fechados" - julgadores, diretivos,
reprovadores, indiferentes, controladores, autoritários - as respostas dos alunos tendiam a ser
"reprodutivas" - imitativas, adivinhativas, reproduzindo fatos, argumentando com base em dados
postos à sua disposição, ou memorizados. Os pares desses dois conjuntos de comportamento
mestre-aluno estavam relacionados de modo significativo (MacDonald e Zaret, 1966). Embora os
autores fossem cautelosos na qualificação dos seus achados, poder-se-ia evidenciar que os
professores interessados no processo, e que eram facilitadores nas suas interações, obtiveram
respostas de auto-iniciativa e criadoras, por parte do seus alunos. Os interessados na avaliação dos
alunos tiveram destes respostas passivas, dadas "para agradar o professor": tal evidência ajusta-se à
tese que tenho sustentado.
Considerando o problema de um outro ângulo, Schmuck (1963) mostrou que, nas salas de aula
em que os alunos percebem que os professores os compreendem, há a probabilidade de que, entre
os primeiros, se verifique uma estrutura mais difusa de apreciação. Isto quer dizer que, quando há
empatia por parte do professor, não ocorre a presença do alguns alunos muito estimados e outros
pouco estimados mas o apreço e o afeto são mais uniformemente difundidos por todo o grupo. Em
estudo posterior, Schmuck mostrou que, entre estudantes altamente envolvidos num grupo igual,
"existem significativas relações entre o status atual de apreço, de um laço, e, de outro, a utilização de
aptidões, de atitudes para consigo mesmo e para com a escola." (1966, pp. 357-358). Isso parece
confirmar outra evidência, indicativa de que, num clima de compreensão, quando o professor é mais
empático, cada aluno tendo a se sentir amado pelos outros, a ter atitude mais positiva em relação a
se mesmo e em relação à escola. Se, em grau elevado, se deixa envolver no seu grupo (o que
parece provável em tal clima de sala de aula), tende a utilizar suas aptidões, de modo mais amplo, no
desempenho da atividade escolar.
Pode-se, entretanto, indagar, ainda, se os alunos realmente aprendem mais quando ocorrem
tais atitudes. Aqui, interessante estudo feito por Aspy (1965), em relação a alunos do terceiro ano do
primeiro grau, ajuda-nos a aproximar-nos de evidência sugestiva. O autor trabalhou com seis classes
do terceiro ano. Os professores durante duas semanas fizeram fitas de gravações de suas interações
com os alunos nos períodos destinados ao ensino da leitura. As gravações foram feitas com o
intervalo de dois messes, a fim de obte
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