O RELACIONAMENTO INTERPESSOAL NA FACILITAÇÃO DA APRENDIZAGEM COMPLETO
a experiência, porque ela me fez pensar... Nunca me tinha acontecido, antes,
empenhar-me tão pessoalmente num curso, especialmente fora da sala de aula. Tem sido
frustrante, compensador, agradável e cansativo.
Os outros comentários referem-se ao final do curso:
...O curso não terminou, para mim, com o fim do semestre, mas continua. Não sei
de vantagem maior que se possa obter de um curso do que esse desejo de conhecimento
posterior.
...Sinto como se esse tipo de situação, em aula, me houvesse estimulado mais,
capacitando-me a saber onde se acham as minhas responsabilidades, especialmente
enquanto faço um trabalho de minha própria iniciativa. Já não sinto que o prazo de um
teste é o critério para se ler o livro. Sinto que o meu trabalho futuro será feito em função
do que eu possa obter dele, não da nota que tive no teste.
Gostei da experiência de estar nesse curso. Desconfio que, se alguma coisa não
me satisfez, foi o desaponto comigo mesmo, por não haver tirado todas as vantagens das
oportunidades que o curso me ofereceu.
Penso que, agora, estou vivamente cônscio do colapso, em matéria de
comunicações, que existe, de fato, em nossa sociedade, depois de ver o que aconteceu
em nossa classe. ...Progredi enormemente. Sei que sou uma pessoa diferente da que era,
antes de haver passado por essa classe. ...Ela me ajudou muito a me compreender
melhor. ...Obrigado, pelo que contribuiu para o meu progresso.
Minha idéia sobre educação era a de obter informação do professor, assistindo às
suas exposições. A ênfase e o foco achavam-se no professor. ...Uma das maiores
mudanças que experimentei verificou-se na minha perspectiva sobre educação.
Aprendizagem é algo mais do que uma nota numa ficha de relatório. Ninguém pode medir
o que se aprendeu, porque isto é algo pessoal. Eu confundia muito aprendizagem com
memorização. Poderia memorizar muito bem, mas duvido que houvesse aprendido tanto
quanto aprendi. Creio que a minha atitude, a respeito de aprendizagem, passou de uma
perspectiva centrada na nota obtida para uma outra mais pessoal.
Aprendi muito mais a respeito de mim mesmo e dos adolescentes em geral.
...Adquiri, também, mais confiança em mim mesmo e nos meus hábitos de estudo,
verificando que posso sozinho, aprender sem que um professor me conduza pela mão.
Aprendi muito, também, ouvindo os meus colegas e apreciando suas opiniões e idéias.
...Esse curso constituiu uma experiência das mais significativas e válidas... (Bull, 1966).
Se se quer ter uma idéia do que um curso desse tipo parece a alunos do sexto ano do primeiro
grau, vejamos amostras das reações dos garotos orientados pela senhorita Shiel, mal expressas e
tudo mais:
Sinto que estou aprendendo auto-abilidade (sic). Não estou aprendendo só o
trabalho da escola, estou aprendendo que a gente pode aprender tão bem por sua conta
própria quanto a gente aprende quando é um professor que ensina a gente.
Sinto u pouco de confusão nos Estudos Sociais (sic), descobrindo coisas para
fazer. Passo muito tempo trabalhando o tempo todo. Às vezes, fico falando demais.
...Meus pais não entendem o programa. Minha mãe fala que ela vai me dar mais
responsabilidade e me deixará ir andando com a minha própria velocidade.
Gosto deste plano porque há uma porção de liberdade. Aprendo mais deste jeito
do que do outro jeito, quando (sic.) tem que esperar os outros, aqui a gente pode andar
com a velocidade da gente mesmo, e a gente fica com muito mais responsabilidade.
(Shiel, 1966).
Vejamos mais dois exemplos do curso de pós-graduação do Dr. Appell:
...Tenho pensado sobre o que me aconteceu por meio dessa experiência. A única
conclusão a que chego é que, se tento medir o que se passou, ou o que eu era no
começo, consigo saber como eu era ao começar - e não sei... são tantas coisas que eu
senti se terem perdido... Se revolveram dentro de mim... Não parecem ter vindo à tona
sob uma forma ou tantas coisas inexprimíveis. Sei que
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