O RELACIONAMENTO INTERPESSOAL NA FACILITAÇÃO DA APRENDIZAGEM COMPLETO
os de ensinar - na verdade os
revolucionam. Quase não exercem as funções de professores. Já não conviria mais chamar-lhes de
professores. São catalisadores, facilitadores que proporcionam, aos alunos, liberdade, vida,
oportunidade de aprender.
Evidenciei, através de sucessivas pesquisas, a sugestão de que as pessoas que assumem tais
atitudes são consideradas mais eficientes, na sala de aula; que os problemas que lhes dizem respeito
são os de fazer com que se liberte a potencialidade dos seus alunos, não os que se referem às
deficiências destes; que eles parecem criar situações, nas salas de aula, nas quais não há crianças a
quem se admire e crianças de quem se desgoste, mas em que a afeição e a estima constituam uma
parte da vida de cada criança; que, nas classes em que vigora tal clima psicológico, as crianças
aprendem mais das matérias convencionais.
Mas, intencionalmente, fui além dos achados empíricos, para tentar fazer com que se entre na
vida íntima do aluno - dos cursos de primeiro grau, universitários ou de pós-graduação - que tem a
sorte de viver e de aprender em tal relacionamento interpessoal com facilitadores, a fim de que se
veja como a aprendizagem e sentida, quando ela é livre, auto-iniciada e espontânea. Tentei mostrar
como se modifica até mesmo a relação para com aluno - tornando-se mais consciente, mais
cuidadosa, mais sensível, ao mesmo tempo em que se expande a aprendizagem auto-relacionada da
matéria provida de significação. Referi-me à mudança que também se processa no professor.
Em síntese, tentei indicar que, se queremos ter cidadãos capazes de viver, construtivamente,
no presente mundo em mudança caleidoscópica, só os teremos se nos dispusermos a fazer deles
aprendizes auto-estimulados e auto-iniciados. Finalmente, foi o meu propósito mostrar que essa
espécie de aprendiz se desenvolve melhor, tanto quanto o sabemos, num relacionamento pessoa a
pessoa que promova, que facilite o crescimento.
SOBRE A APRENDIZAGEM E SUA FACILITAÇÃO
De que modo uma pessoa aprende? Como facilitar aprendizagens de importância? Quais
os pressupostos teóricos, básicos, envolvidos? Nesse Capítulo, tento responder a essas
perguntas sob uma forma desataviada, expondo, simplesmente, o essencial dos meus pontos
de vista sobre tais questões.
Costuma-se iniciar um exposição mencionando os princípios teóricos e gerais para indicar,
depois, a maneira como poderão ser postos em prática. Neste livro, tenho seguido o curso oposto.
Empenhei-me em apresentar uma profusão de experiências práticas e descrições de métodos
usados, todos com o fim de tornar livres os alunos para a aprendizagem auto-iniciada e
autoconfiante. Agora, gostaria de fazer uma exposição sucinta e geral de alguns dos princípios (ou
hipóteses) que podem ser razoavelmente abstraídos, a meu ver, dessas e de outras experiências
semelhantes. Induzi-os da minha própria experiência, do trabalho de muitos outros facilitadores de
aprendizagem, que me davam conta do que fizeram e do que obtiveram, além de pesquisas
relevantes, muitas das quais relatadas nos capítulos anteriores.
Aprendizagem
Eis certo número de princípios que podem, creio, ser abstraídos da experiência usual e de
pesquisas relacionadas com a mais recente maneira de encarar o assunto.
1. Os Seres Humanos têm natural potencialidade de aprender. São curiosos a respeito do
mundo em que vivem, até que, e a menos que, tal curiosidade seja entorpecida por nosso sistema
educacional. São ambivalentemente ansiosos de desenvolver-se e de aprender. A razão da
ambivalência está em que toda aprendizagem significa envolve certa quantidade de dor - sofrimento
ligado à própria aprendizagem ou angústia associada a certas aprendizagens preliminares por que se
passou. O primeiro tipo de ambivalência pode ser exemplificado pela situação da criança que
aprende a andar. Tropeça, cai, machuca-se. É um processo penoso. No entanto, as alegrias de estar
desenvolvendo
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