O RELACIONAMENTO INTERPESSOAL NA FACILITAÇÃO DA APRENDIZAGEM COMPLETO
o seu potencial compensam, de muito, as pancadas e contusões. O segundo tipo de
ambivalência evidencia-se quando um estudante, que tinha sido absolutamente o melhor, sob todos
os aspectos, no segundo grau, na sua cidadezinha, verifica, depois de se matricular em
estabelecimento de ensino superior ou numa Universidade, que não passa de um, entre vários alunos
brilhantes. Haverá, para ele, penosa aprendizagem a assimilar, ainda que, na maioria dos casos, o
consiga e siga adiante.
Esta potencialidade e desejo de aprender , descobrir, ampliar conhecimento e experiência,
podem ser liberados sob as condições apropriadas. Trata-se de tendência em que se pode confiar, e
todas as vias de acesso à educação que temos descrito fundamentam-se sobre e em trono do natural
desejo de aprender do aluno.
2. A aprendizagem significativa verifica-se quando o estudante percebe que a matéria a estudar
se relaciona com os seus próprios objetivos. De maneira um tanto mais formal, dir-se-á que uma
pessoa só aprende significativamente aquelas coisas que percebe implicarem na manutenção ou na
elevação de si mesma. Pense-se, por um momento, em dois estudantes que fazem um curso de
Estatística. Um trabalha num projeto de pesquisa, para o qual necessita, claramente, do material
constante do curso, a fim de completar suas investigações e progredir na sua carreira profissional. O
outro faz o curso porque é obrigatório. A única relação com os seus objetivos ou seu progresso
individual é, simplesmente, a de que lhe é preciso completá-lo a fim de continuar na Universidade.
Não há como pôr em dúvida as diferenças de aprendizagem que daí decorrem. O primeiro aluno
adquire uma aprendizagem funcional da matéria; o segundo, aprende como há de "conseguir passar".
Outro elemento relacionado com esse princípio refere-se à rapidez da aprendizagem. Quando
uma pessoa tem algum objetivo a alcançar e vê que dispõe de um marterial relevante à obtenção do
que quer, a aprendizagem se faz com grande rapidez. Lembremo-nos, apenas, o breve espaço de
tempo necessário a um adolescente para aprender a dirigir um carro. É evidente que o tempo de
aprendizagem de vários assuntos se reduziria a uma fração do que ordinariamente é empregado, se
o aprendiz percebe que a matéria se relaciona com os seus objetivos pessoais. Provavelmente,
bastaria um terço ou um quinto do tempo atualmente dispendido.
3. A aprendizagem que envolve mudança na organização de cada um - na percepção de si
mesmo - é ameaçadora e tende a suscitar reações. Por que tem havido tanto furor, até mesmo, não
raro, ações judiciais, por causa de um jovem adolescente que vai à escola de cabelos compridos? De
certo, o comprimento dos cabelos faz pouca diferença objetiva. A razão parece estar em que, se eu,
como professor ou administrador, aceito o valor com que o "cabeludo" não se conforma, então, há
ameaça contra o valor com que eu me conformo, em relação às exigências sociais. Se eu permito
que essa contradição exista, poderei também mudar, porque serei forçado a reapreciar alguns dos
meus valores. O mesmo se aplica ao antigo interesse pelos "beatniks" e ao atual interesse pelos
"hippies". Se lhes é permitido manter a rejeição de quase todos os valores da classe média, então, a
aceitação de tais valores por uma pessoa que os tem como parte de si mesma é profundamente
ameaçada, uma vez que à maioria das pessoas afigura-se que, na medida em que os outros estão
certos, elas estão erradas.
Não raro, essas penosas e ameaçadoras aprendizagens têm algo a ver com certas
contradições no interior de cada um. Veja-se o exemplo de alguém que acredita "terem os cidadãos,
neste país, igual direito, a toda espécie de oportunidade, seja qual for". Mas descobre também ter
convicção de que "não quero que um negro more nas minhas vizinhanças". Toda aprendizagem que
se origine desse dilema é penosa e ameaçadora, pois as duas crenças não podem abertamente
coexistir, e qualquer aprendizag
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