O RELACIONAMENTO INTERPESSOAL NA FACILITAÇÃO DA APRENDIZAGEM COMPLETO
a é
aquele que aprendeu como aprender; que prendeu como se adaptar e mudar; que se capacitou de
que nenhum conhecimento é seguro, que somente o processo de buscar conhecimento oferece uma
base de segurança. Mutabilidade, dependência de um processo, antes que de um conhecimento
estático, eis a única coisa que tem certo sentido como objetivo de educação, no mundo moderno.
Assim, e agora com algum alívio, volto a uma atividade, a um propósito que realmente me
anima - facilitar a aprendizagem. Quando eu fui capaz de transformar um grupo - e aqui me refiro a
todos os membros do grupo, incluindo eu - numa comunidade de aprendizes, o estímulo foi quase
incrível. Libertar a curiosidade; permitir que as pessoas assumam o encargo de seguir em novas
direções ditadas por seus próprios interesses; desencadear o senso de pesquisa; abrir tudo à
indagação e à análise; reconhecer que tudo se acha em processo de mudança - eis uma experiência
de que nunca me posso esquecer. Nem sempre é isso realizável nos grupos com que tenho tinho
contato, mas quando o é, parcial ou amplamente, torna-se, então, experiência de grupo dessas de
fato inesquecíveis. De tal contexto emergem verdadeiros estudantes, aprendizes reais, cientistas,
eruditos a profissionais com capacidade criadora. Aquela espécie de pessoa que podem viver num
delicado mas sempre mutável equilíbrio entre o que hoje se conhece e os fluentes, móveis, alteráveis
problemas e fatos do futuro.
Eis aí um objetivo a que me dedicarei com todo o entusiasmo. Vejo a facilitação da
aprendizagem como o fim da educação, o modo pelo qual desenvolveremos o homem entregue ao
estudo, o modo pelo qual podemos aprender a viver como pessoas em processo. Vejo-a como a
função capaz de sustentar respostas construtivas, experimentadas, mutáveis, em processo, às mais
profundas perplexidades que assediam hoje o homem.
Mas sabemos como atingir esse novo objetivo da educação ou isso é um fogo-fátuo que ora
aparece ou não, só nos dando, assim, precária esperança real? Minha resposta é que possuímos
conhecimento bem considerável das condições que, em relação à pessoa como um todo, estimulam
a aprendizagem auto-iniciada, significativa, experimental, em nível de profundidade. Não é freqüente
vermos tais condições levadas a efeito, porque elas importam em verdadeira revolução no nosso
modo de acesso à educação, e as revoluções não são para os tímidos. Podemos, entretanto, como o
vimos nos capítulos anteriores, encontrar exemplos dessa revolução em ação.
Sabemos - o que se evidenciará na breve descrição que faremos - que a iniciação de tal
aprendizado não se baseia nas habilidades de ensinar que um líder, no seu conhecimento erudito do
campo, no planejamento do currículo, no uso de subsídios audiovisuais, na programação do
computador utilizado, nas palestras e aulas expositivas na abundância de livros, embora tudo isso
possa, uma vez ou outra, ser empregado como recurso importante. Não, a facilitação de
aprendizagem significativa baseia-se em certas qualidades de comportamento que ocorrem no
relacionamento pessoal entre o facilitador e o aprendiz.
Chegarmos a tais descobertas, no campo da Psicologia, mas a sua aplicação nas salas de aula
vai se tornando, por igual, cada vez mais evidente. É mais fácil pensar que o relacionamento
intensivo entre o terapeuta e o cliente possui aquelas qualidades; vamos, porém, descobrindo que
também podem elas existir nas incontáveis interações (cerca de 1.000 por dia, como Jackson
mostrou, em 1966) entre a professora e os seus alunos.
QUALIDADES QUE LHE FACILITAM A APRENDIZAGEM
Quais são essas qualidades, essas atitudes, que facilitaram a aprendizagem? Vamos
descrevê-las, muito brevemente, com ilustrações tiradas do campo do ensino.
Autenticidade do Facilitador de Aprendizagem
Talvez a mais básicas dessas atitudes essenciais seja a condição de autenticidade. Quando o
facilitador é uma pessoa real, se se apresenta tal
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