O RELACIONAMENTO INTERPESSOAL NA FACILITAÇÃO DA APRENDIZAGEM COMPLETO
vorazes no consumo de energia e de matéria-prima, poluidores, poucos exigentes e avarentos com a
mão-de-obra.
Nesse inédito ambiente de competição internacional, países do Primeiro Mundo começam a se
preocupar mais e mais com seus sistemas educacionais. Avaliações de desempenho entre
estudantes de diferentes origens vão ficando freqüentes. Fracassos nesses torneiros provocam
reações que acabam servindo para o planejamento de políticas educacionais nos Estados Unidos e
na Europa. Há restrições a esse tipo de avaliação. Mas é interessante notar que as crianças com os
melhores resultados em matemática geralmente vêm de países com alto crescimento do produto
interno bruto.
Pode-se explicar essa correlação com um exemplo que o historiador Christopher Hill
desentranhou de uma antiga e bem estudada revolução ocidental - a inglesa, de 1640. Durou pouco,
mas acabou influindo com séculos de antecedência na formação do futuro Império Britânico, aquele
em que o sol nunca se punha, através de duas providências quase sempre pouco consideradas: a
universalização do ensino e a secularização do conhecimento científico.
Os revolucionários ingleses pregaram, o que era inédito, a educação para todos até os 10 anos
de idade, inclusive as mulheres. Para os alunos mais dotados, abria-se o acesso aos estudos
superiores. Para ensinar, preferiam o vernáculo ao latim. A ciência eles libertaram da clausura
livresca, popularizando a "mecânica" - isto é, a matemática e a física. Não foi por coincidência que
Isaac Newton viveu, produzindo sua obra e foi por ela amplamente celebrado naquele tempo. O fato é
que as ciências naturais - e mais tarde as ciências sociais - entraram então para sempre nas
universidades inglesas.
A educação, esteve, portanto, nos alicerces das nações modernas desde as primeiras
revoluções antifeudais do século XVI. Na Inglaterra, a energia que lançaria na História seu imenso
império - além da Revolução Industrial - veio desses impulsos remotos, que exorcizaram a fatalidade
como explicação para os infortúnios da vida, fizeram o domínio da natureza parecer possível e
desejável, transformaram a ampla cidadania numa fonte e vitalidade nacional.
Nisso, não foi exceção. Foi regra histórica. Um século e meio depois dos ingleses, as
revoluções francesa e prussiana retomariam a universalização da educação como chave do
igualitarismo e também para multiplicar cidadãos formados em ofícios mais práticos do que a cultura
de nobres letrados. Também essas revoluções, não por acaso, produziram impérios políticos e
econômicos.
No Japão, a revolução educacional Meiji, que praticamente acabou com o analfabetismo,
aconteceu em 1860. Por quê? Pela necessidade que naquela época tinha o Japão de enfrentar, com
população menor, as guerras com a China e a ameaça da Armada americana, cercando a Baía de
Tóquio. Mas é ingênuo supor que haja apenas coincidência entre os esforços de educação universal,
as conquistas territoriais e o sucesso econômico dessas nações - ou que a direção de causalidade
entre o processo de universalização do ensino e êxito posterior desses países não esteja claramente
determinada. Assim como parece claro que a empreitada educacional pode ter sido moldada em
ideais religiosos ou na pregação igualitária, mas para que acontecesse foi preciso que interesses
políticos, militares e econômicos se sobrepusessem aos velhos hábitos de manter o povo ignorante,
como instrumento de controle.
Se é assim, o Brasil está neste momento jogando o futuro ou a sobrevivência no desafio de
fazer sua revolução pedagógica. Até hoje, ele sempre contornou o problema. Por sua origem colonial
portuguesa, não sofreu a influência das revoluções liberais do século XVIII. A educação que chegou
aqui, trazida pelos jesuítas, impregnada de Contra-Reforma, não pretendeu sequer se ocupar da
competência da população em geral. Faltava a necessidade de formar exércitos competentes para
defesa ou para a conquista, a
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