O RELACIONAMENTO INTERPESSOAL NA FACILITAÇÃO DA APRENDIZAGEM COMPLETO
colônia dispensava um burocracia ampla e capaz, o modelo econômico
extrativo, latifundiário e escravocrata não pedia mão-de-obra qualificada.
Ruim com os jesuítas, pior sem eles. A educação brasileira acabou sofrendo um rude golpe
com as reformas do marquês de Pombal, o secretário português de Negócios Estrangeiros que
substituiu na colônia os jesuítas por leigos mal remunerados e completamente despreparados.
Nossos problemas educacionais começaram nos séculos XVIII e XIX a ficar ainda mais parecidos
com os de hoje.
Nunca, até hoje, houve no Brasil uma tentativa séria de promover um acordo político e social
que complementasse a formação do Estado nacional. Por isso, nunca se pensou na educação como
complemento a um projeto desses. Na década de 50, o programa acelerado de substituição de
importações trouxe tecnologias já prontas. Logo, dispensou a educação das massas. No golpe militar
de 1964, havia planos, metas e projetos de modernização de país. Mas a idéia era construir uma
nação com grandes obras de infra-estrutura, que exigiam competência gerencial e tecnológica da
elite. A conseqüência fia a fantástica expansão do ensino superior, em contraste com o descaso pela
qualidade do ensino básico.
O ensino superior acabou atrofiando graus anteriores de ensino. Gasta-se com a escola básica,
que atinge 28 milhões de alunos, 0,8% do PIB, em todas as esferas administrativas. Com as
instituições federais de ensino superior. Com as instituições federais de ensino superior, para 300.000
alunos, gasta-se 0,6% do PIB. Pode-se ate considerar aceitável que a educação superior custe
atualmente 8.000 dólares por aluno. Inaceitável é que a escola básica custe setenta vezes menos.
Essas contas mostram ao mesmo tempo a irracionalidade da política educacional e a sua
lógica, compatível com o modelo de sociedade que temos. É incontestável que o desinteresse pela
educação básica vem da falta de um projeto de país em que os cidadãos adquirissem, na escola
fundamental, os requisitos para a democracia. Se pudesse ficar indefinidamente fechada em si
mesmo, essa situação poderia continuar torta, mas em equilíbrio. Porém os novos paradigmas
mundiais de produção tornam isso impraticável.
O Brasil já está em enorme desvantagem em relação ao Primeiro Mundo. Ao ritmo atual, o país
só chegaria por volta do ano 2100 a dar o 1.º grau completo a 95% da sua juventude. O 2.º grau
completo para 90% de uma geração ficaria para 3080 - da era cristã, presume-se. E esses já são,
agora, os índices do Primeiro Mundo e dos Tigres Asiáticos.
Há sessenta anos o Brasil apóia sua política em estatísticas equivocadas. Difundidas pelo
governo e aceitas até pelos especialistas em educação no meio acadêmico, elas se tronaram um
importante argumento político para justificar prioridades totalmente desvirtuadas das necessidades
reais do sistema escolar, ajudando a transformar o problema da educação em moeda de barganha
eleitoreira. Além disso, escondem sintomas importantes de nosso autoritarismo social e endossam
um processo que faz da criança e de sua família verdadeiras vítimas do aparato escolar.
Os primeiros dados relativamente confiáveis sobre a escola brasileira datam do censo
educacional de 1931, um ano depois da criação do Ministério da Educação. Sobre eles, aplicam0se
métodos de análise totalmente inapropriados, copiados de algum país europeu - provavelmente a
Inglaterra. Nessa metodologia, compara-se a matrícula total da 1.ª série, num certo ano, com a
matrícula total da 2.ª série, no ano seguinte, e deduz-se que isso mostre a evolução escolar de uma
geração de alunos. Fatal equívoco. A matrícula 1.ª série não contém apenas alunos novos, mas inclui
repetentes. Há uma repetência brutal: mais de 50% dos alunos da 1.ª série chegam a ser repetentes.
A conta produz resultados inconsistentes com a realidade demográfica do país que o número de
alunos na 1.ª série chega a ultrapassar em 70% o número de brasile
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