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Quem tem a vontade firme modela o mundo a seu bel-prazer. A força que vosso espírito exerce sobre o corpo é maravilhosa. Seja, portanto, o espírito, o seu senhor.

-- Antonio Paiva Rodrigues


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O RELACIONAMENTO INTERPESSOAL NA FACILITAÇÃO DA APRENDIZAGEM COMPLETO


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iros com 7 anos de idade. Nas
séries seguintes, a proporção de repetentes diminui gradativamente, mas o fenômeno permanece.
Vem dessa ilusão estatística o mito de que entre a 1.ª e a 2.ª série da escola fundamental ocorre uma
evasão de metade dos alunos.

É uma tolice inaceitável, mesmo para os padrões da estatística da época. Mas continua a ser
repetida por governos até hoje. Com uma persistência que denota existirem por trás dela interesses
políticos, alienação acadêmica e mercantilismo educacional. A primeira reação contra essa falsa
estatística veio, ainda na década de 40, do então diretor do Serviço de Estatística do Ministério da
Educação e Cultura, Mário Augusto Teixeira de Freitas, fundador de IBGE. Em seu último trabalho,
Teixeira de Freitas concluiu que 60% dos jovens, já na década de 30, tinham acesso à escola, que as
taxas de repetência na 1.ª série eram de 60% e que, para uma escolaridade obrigatória de três séries,
as crianças permaneciam em média 3,7 anos freqüentados a escola, em vez de aumentar o número
de escolas, o governo melhorasse as existentes. Foi demitido.

Em meados da década de 70, o MEC, por sugestão da UNESCO, adota um modelo correto de
fluxo escolar. Mas, aplicado aos dados do censo educacional, ele ainda produz deformações, por
desconsiderar os alunos que, para evitar a reprovação formal, são afastados da escola durante o ano
e voltam, no ano seguinte, para a série anterior. O fato é que, mais de quarenta anos depois das
descobertas Teixeira de Freitas, basta retificar as estatísticas para constatar que 96% dos brasileiros
em idade escolar se matriculam, que eles freqüentam em média durante quase nove anos uma
escola de 1.º grau que tem a extensão obrigatória de oito séries e que, apesar disso, apenas a
metade completa a 6.ª série. A taxa de repetência continua exterminadora: 55% em média na 1.ª
série, na década de 80. De Teixeira de Freitas para cá, houve uma queda de 5 pontos percentuais.

Pensar que este é um problema da escola dos pobres é outro mito. No Brasil, para os 10% mais
pobres da população, a taxa de repetência na 1.ª série é de 75%. Para os 10% mais ricos é ainda
extremamente alta, 40%. Estes dados demonstram que existe na cultura escolar brasileira uma
"pedagogia de repetência" em todos os estratos da sociedade. Ela convém a políticos e empreiteiros.
Não existe evasão precoce da escola. O que há são tremendas taxas de repetência que deformam as
estatísticas fazendo as autoridades enxergar alunos novos onde o que há é repetentes em excesso.
Isso esvazia as séries mais altas e cria alunos demais para as mais baixas. O brasileiro faz o possível
para se educar. A escola, na sua incompetência, é que não o ajuda.

Por outro lado, com 96% de crianças matriculadas, o acesso à escola está virtualmente
universalizado. A informação de que existem milhões de crianças sem vagas ou que se evadem da
escola precocemente não se sustenta em números. Pelos dados das pesquisas nacionais por
amostra domiciliar, do IBGE, 90% das crianças de 9 a 10 anos de idade estão freqüentando escola e,
mesmo aos 17 anos, 22% ainda estão no 1.º grau, numa idade em que deveriam ter completado o 2.º
grau.

Construir escolas deixou de ser uma prioridade para políticas educacionais no Brasil. Aliás, teria
deixado, se não houvesse interesses políticos em jogo que não se quer contrair. Eles mantêm a
educação pública como um negócio e inspiram grandes programas assistencialistas, como o da
merenda escolar, feito para remediar uma evasão escolar que só existe por deformação estatística.
Universalizar o acesso à escola foi uma proeza, numa população em crescimento acelerado, que,
neste século, passou de 17,3 milhões de habitantes para 150 milhões. Chegou a hora de
universalizar a educação, melhorando a qualidade do ensino nas escolas com a infra-estrutura
existente - mesmo porque a taxa de crescimento demográfico diminuiu nesta década. Para isso, só é
preciso decidir que ti


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“Qualquer um pode zangar-se- isto é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na medida certa, na hora certa, pelo motivo certo e da maneira certa- não é fácil”

-- (Aristóteles).


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