O RELACIONAMENTO INTERPESSOAL NA FACILITAÇÃO DA APRENDIZAGEM COMPLETO
ibertação. Pois não é apenas da
opressão externa, e em busca de si mesmo, que o indivíduo precisa libertar-se. Deve libertar-se
também de si mesmo, de suas tendências egocêntricas, para integrar-se na realidade social e nela
atuar. E a escola cumprirá tanto mais a sua função quanto mais favorecer essa dupla libertação,
sendo cada vez menos instrumento da opressão externa sobre o indivíduo e estimulando cada vez
mais seu crescimento rumo à participação social consciente.
Diria, portanto, que a opressão antecede a libertação, é uma etapa da própria libertação, nesse
jogo dialético que constitui a vida e a própria educação. Se não, libertar-se de quê? Trata-se, no caso,
de uma visão parcial do processo de desenvolvimento e de educação. Quando vistas globalmente,
entretanto, no mesmo processo, opressão e libertação coexistem, podendo predominar ora a
primeira, ora a segunda, ou, mesmo, equilibrar-se momentaneamente.
Cabe ao educador trabalhar pela libertação, tendo, porém, consciência permanente de que o
processo será contínuo, que algum grau de opressão sempre existirá e que nunca alcançaremos a
libertação total. Mas é exatamente essa busca constante que dá sentido à vida.
Educação reprodutivista X Educação Crítica
Reprodução, crítica e criação são processos inerentes ao desenvolvimento pessoal e social e,
portanto, sempre presentes, em maior ou menor grau, na atividade educacional. Trata-se,
certamente, de uma atitude antieducativa aquela que se limita a reproduzir o passado, mas esta
reprodução não deixa de ser a base da crítica e da criação.
Condenável é a reprodução pura e simples, que impede o desenvolvimento da crítica e da
criação. Mas também condenáveis são a crítica vazia e a criação a partir do nada. A primeira, por não
ter consistência, e a segunda, por ser alienada; ambas, por distanciarem-se da realidade em que
vivemos.
O processo educacional é dinâmico. Cabe-lhe estimular as novas gerações a construir um
futuro melhor com base no conhecimento crítico da história. E, nesta construção, quantidade e
qualidade, conteúdo e forma, são processos interdependentes, em que o predomínio exagerado de
um ou de outro traz prejuízos ao desenvolvimento global.
Não é que não existam dicotomias e contradições, pois a educação é um processo dialético.
Mas não podemos esquecer que o desenvolvimento dialético exige a superação provisória das
contradições, mediante a formulação de sínteses também provisórias, que constituem novos pólos
contraditórios, mas que orientam nosso pensamento e nossa ação em um dado momento. É esse
movimento constante que torna a educação um processo vivo e palpitante, que não cessa de se
renovar.
O Que é Educação
Há muitos anos, nos Estado Unidos, Virgínia e Maryland assinaram um tratado de paz com os
índios das seis nações. Ora, como as promessas e os símbolos da educação sempre foram muito
adequados a momentos solenes como aquele, logo depois os seus governantes mandaram cartas
aos índios para que enviassem alguns de seus jovens às escolas dos brancos. Os chefes
responderam agradecendo e recusando. A carta acabou conhecida porque, alguns anos mais tarde,
Benjamin Franklin adotou o costume de divulgá-la aqui e ali. Eis o trecho que nos interessa:
...Nós estamos convencidos, portanto, que os senhores desejam o bem para nós e
agradecemos de todo o coração. Mas aqueles que são sábios reconhecem que diferentes nações
têm concepções diferentes das coisas e, sendo assim, os senhores não ficarão ofendidos ao saber
que a vossa idéia de educação não é a mesma que a nossa.
...Muitos dos nossos bravos guerreiros foram formados nas escolas do Norte e aprenderam
toda a vossa ciência. Mas, quando eles voltavam para nós, eles eram maus corredores, ignorantes da
vida da floresta e incapazes de suportarem o frio e a fome. Não sabiam como caçar o veado, matar o
inimigo e construir uma cabana, e falavam a nossa língua muito mal. Eles eram, portanto, t
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