O RELACIONAMENTO INTERPESSOAL NA FACILITAÇÃO DA APRENDIZAGEM COMPLETO
ue experimentava e como se havia com eles:
Era de enlouquecer o trato com a bagunça - com "B" maiúsculo! Ninguém, exceto
eu, parecia preocupar-se com isso. Finalmente, certo dia, disse às crianças... que eu era,
por natureza, uma pessoa asseada e organizada, e que a confusão da sala vinha
desviando a minha atenção. Teriam eles uma solução? Sugeriu-se que alguns voluntários
poderiam encarregar-se da faxina... Disse-lhes que não me era agradável ver sempre as
mesmas pessoas tratando de arrumas as coisas para os outros - mas seria uma solução
para mim. "Bem, alguns de nós gostaríamos de arrumar", responderam eles. Assim, não
havia outro jeito. (Shiel, 1966).
Espero que este exemplo dê algum significado claro a expressões que usei antes, quando
afirmei que o facilitador "é capaz de viver tais sentimentos, de fazer deles algo de si, e,
eventualmente, de comunicá-los". Escolhi um exemplo de sentimentos negativos, porque entendo
que é mais difícil para a maioria de nós visualizar a significação de tudo isso. No caso, a senhorita
Shiel assumiu o risco de exibir as suas frustrações em face de desordem. E que aconteceu? A
mesma coisa que, segundo a minha experiência, quase sempre acontece. Aqueles jovens
compreenderam e respeitaram os sentimentos dela, levaram-nos em conta, propuseram uma solução
nova que a nenhum de nós, creio, teria ocorrido. A senhora Shiel sabiamente comenta: "Costumava
exaltar-me e me sentia culpada quando me irritava. Capacitei-me, finalmente, de que as crianças
poderiam aceitar bastante os meus sentimentos. E era importante para eles saberem quando me
"pressionavam". Tenho também os meus limites" (Shiel, 1966).
Exatamente para mostrar que os sentimentos positivos, quando reais, são igualmente eficazes,
citemos, em resumo, a reação de um universitário, num curso diferente:
...O seu senso de humor na classe foi estimulante; todos nos sentimos
descontraídos porque o senhor mostrou o seu modo de ser humano, não a imagem
mecânica do professor. Sinto-me como quem tem mais compreensão e confiança nos
professores, agora... Também me sinto mais próximo dos colegas.
...O senhor levou a classe a um nível pessoal e, portanto, pude formular, no
espírito, um retrato seu, como pessoa, não como um mero livro-de-texto ambulante.
Outro, no mesmo curso:
...Não era como se houvesse um professor na sala de aula, mas, antes, alguém
em quem podíamos confiar e quem identificar como um "participante". O senhor era tão
compreensivo e sensível a nossas idéias que tudo se passava de modo mais "autêntico"
para mim. A impressão era uma experiência autêntica, não exatamente de uma aula.
(Bull, 1966).
Confio em que estou evidenciando que ser autêntico nem sempre é fácil, nem atingível de uma
só vez, mas é básico para a pessoa que quer se tornar aquele indivíduo revolucionário - um facilitador
de aprendizagem.
Apreço, Aceitação, Confiança
Há outra atitude a realçar nos que empreendem, com êxito, a facilitação de aprendizagem.
Observei-a. Experimentei-a. Como, porém, é difícil saber que termo a designa, usarei diversos. Penso num como apreço ao aprendiz, a seus sentimentos, suas opiniões, sua pessoa. É um interessar-se
pelo aprendiz, mas um interesse não possessivo. É a aceitação de um outro indivíduo como pessoa
separada, cujo valor próprio é um direito seu. É uma confiança básica - a convicção de que essa
outra pessoa é fundamental merecedora de crédito. Designada como apreço, aceitação, confiança,
ou algum outro termo, essa atitude se manifesta de vários modos observáveis. O facilitador que a
possui em grau elevado pode aceitar, inteiramente, o temor e a hesitação do aluno, quando este se
acerca de um novo problema, tanto quanto a sua satisfação ao ter êxito. Tal professor pode aceitar a
ocasional apatia do estudante, suas aspirações caprichosas de atingir, por atalhos, o conhecimento,
tanto quanto os seus disciplinados esforços de realizar os mais altos objetivos. Pose
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