O RELACIONAMENTO INTERPESSOAL NA FACILITAÇÃO DA APRENDIZAGEM COMPLETO
aceitar
sentimentos pessoais que, a um tempo, perturbam ou promovem a aprendizagem - rivalidade com
um companheiro, aversão à autoridade, interesse por sua própria adaptação. O que estamos
descrevendo é o apreço; pelo aprendiz como ser humano imperfeito, dotado de muitos sentimentos,
muitas potencialidades. O apreço ou aceitação do facilitador em relação ao aprendiz é uma
expressão operacional da sua essencial confiança e crédito na capacidade do homem como ser vivo.
Gostaria de dar alguns exemplos dessa atitude, tendo em vista a situação numa sala de aula.
Declarações de um professor, a respeito, poderiam ter certa suspeição, pois muitos de nós
gostaríamos de sentir que mantemos tais atitudes, e poderíamos ter uma percepção tendenciosa das
nossas qualidades. Vejamos, porém, como essa atitude de apreço, de confiança é considerada por
um aluno que teve a sorte de experimentá-la.
Eis o que diz um estudante universitário, num curso conduzido pelo Dr. Morey Appell:
O seu modo de lidar conosco foi para mim uma revelação. Na sua aula, sinto-me
importante, maduro, capas de fazer as coisas por mim mesmo. Quero pensar por minha
conta e tal necessidade não pode ser atendida por meio de livros de texto e de aulas
expositivas apenas, mas através de situações vividas. Penso que o senhor me vê como
quem tem sentimentos e necessidades reais, como pessoa. O que eu digo e faço são
expressões significativas do que eu sou e o senhor reconhece isto. (Appell, 1959).
Uma aluna de sexto ano da Senhorita Shiel exprime muito mais resumidamente sua mal
articulada apreciação dessa atitude: "A senhorita é uma professora maravilhosa, na aula!!!"
Universitários de uma turma dirigida pela Dra. Patrícia Bull descrevem não só atitudes de
apreço e confiança como seus efeitos em outras interações:
...Sinto que posso dizer-lhe coisas que não diria a outros professores... Nunca me
tinha dado conta, antes, dos outros alunos e de sua personalidade, Jamais tivera tanta
interação numa sala de aula da Universidade, com meus colegas. O clima dessa sala
exerceu profundo efeito sobre mim... a livre atmosfera de discussão afetou-me... a
atmosfera geral de certa reunião nossa tocou-me. Muitas vezes levei a discussão comigo,
para fora da sala de aula, e ela constituiu, durante muito tempo, objeto de minhas
reflexões.
...Ainda me sinto ligado a você, como se houvesse um entendimento tácito entre
nós, quase uma conspiração. Isso ajuda a participação na sala de aula, de minha parte,
pois sinto que pelo menos uma pessoa do grupo reagirá, mesmo quando não estou muito
certo quando aos outros. Pouco importa, na realidade, se a reação é positiva ou negativa:
ela existe. Obrigado!
Aprecio o respeito e o interesse que você tem pelos outros, entre os quais eu
próprio. ...De minha experiência na aula, e, mais, da influência de minhas leituras resultou
a minha sincera convicção de que o método de ensino centrado no aluno proporciona
uma estrutura ideal de aprendizagem; não exatamente pela acumulação de fatos, mas - o
que é mais importante - pela aprendizagem sobre nós mesmos em relação aos outros...
Quando me lembro de meus conhecimentos superficiais em setembro, comparados com a
profundidade de meus "insights", agora, vejo que este corso me ofereceu uma experiência
de aprendizagem altamente valiosa, que eu não teria podido adquirir de outra maneira.
Pouquíssimos professores tentariam esse método, por imaginarem que perderiam
o respeito do aluno. Ao contrário. A senhora conquistou nosso respeito, por sua habilidade
em falar-nos, no nosso nível, em vez de se colocar a dez milhas acima de nós. Ante a
completa falta de comunicação que vemos nesta escola, foi maravilhosa a experiência de
verificar as pessoas ouvirem umas às outras e realmente se comunicarem num nível
adulto, inteligente. Outros cursos deveriam permitir-nos essa experiência. (Bull, 1966).
Como era de esperar, certos universitários não raro suspeitavam
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