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Quem tem a vontade firme modela o mundo a seu bel-prazer. A força que vosso espírito exerce sobre o corpo é maravilhosa. Seja, portanto, o espírito, o seu senhor.

-- Antonio Paiva Rodrigues


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O RELACIONAMENTO INTERPESSOAL NA FACILITAÇÃO DA APRENDIZAGEM COMPLETO


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tudes que mencionei e não foi por acaso que comecei a
minha exposição por essa atitude. Assim, se alguém tem escassa compreensão do mundo interior do
aluno, não gosta dele ou do seu comportamento, é quase certamente mais construtivo ser real do que
pseudo-empático ou do que exibir a máscara de quem se interessa por ele.

Mas isso não é tão simples quanto parece. Ser autêntico, ou honesto, ou congruente, ou real,
significa ser dessa maneira em relação a si próprio. Não posso ser real para com o outro, porque não
sei o que é real para ele. Só posso dizer - se quero ser verdadeiramente honesto - o que se passa em
relação a mim.

Vejamos um exemplo. Antes, nesse capítulo, referi-me aos sentimentos da senhorita Shiel
sobre a "confusão" criada pelo trabalho de arte. Essencialmente, disse ela: "É de enlouquecer ficar
aqui nessa bagunça! Sou uma pessoa asseada e organizada e isso me está desviando a atenção".
Mas suponhamos que ela houvesse exprimido seus sentimentos de modo diverso, como aqueles
disfarces tão comuns nas salas de aula de todos os níveis. Diria ela: "Vocês são as crianças mais
bagunceiras que eu já vi. Não se preocupam com a ordem ou a limpeza. Vocês são horrorosos!"
Definitivamente, não estaríamos em face de um exemplo de autenticidade, de ser verdadeiro, no
sentido em emprego estas palavras. Há uma profunda distinção entro os dois modos de falar que eu
gostaria de explicar pormenorizadamente.

Na segunda afirmação, a senhorita Shiel nada diz sobre si mesma, nada está participando
sobre os seus sentimentos. Sem dúvida, as crianças sentirão que ela está zangada, mas como são
vivas para perceber as coisas, ficarão sem saber se ela está irritada com eles ou porque andou
discutindo com diretora. Nada existe, aqui, da honestidade da primeira afirmação, onde ela fala da
sua indisposição de estar ela mesma sentido que desvia a sua atenção.

Outro aspecto da segunda afirmação é que é toda feita de julgamentos ou avaliações que,
como a maior parte dos julgamentos, são todos discutíveis. Aquelas crianças são desleixadas ou
simplesmente se acham excitadas e envolvidas com o que estão fazendo? São todas "bagunceiras"
ou haverá algumas que se sentem tão incomodadas com a confusão quanto a professora? Não se
preocupam, de jeito nenhum com ordem, ou simplesmente, nem todo dia tem tal preocupação? Se
um grupo de visitantes estivesse para chegar, sua atitude seria diferente? São horrorosos ou
simplesmente crianças? Creio ser evidente que, quando formulamos juízos, estes quase nunca dão
interiramente exatos, donde causarem ressentimento e irritação, tanto quanto sentimento de culpa e
apreensão. Se a senhorita Shiel houvesse feito a segunda afirmativa, a resposta da classe teria sido
inteiramente diversa.

Alonguei-me um pouco no esclarecimento desse ponto, porque sei, por experiência, que
acentuar o valor de ser real, de viver cada um dos seus sentimentos, muitas vezes se torna como
licença para formular juízos sobre os outros, para projetar nos outros todos os sentimentos tidos
como "próprios". Nada poderia ser tão oposto ao que quero dizer.

Na verdade, atingir a qualidade de real é, as mais das vezes, difícil, e, mesmo quando se quer
ser, de fato, autêntico, isto só raramente ocorre. Não é, certamente, mera questão de palavras e não
ajudará muito alguém considerar judicioso o uso de uma fórmula verbal, que soa como participação
de sentimentos. Tratar-se-á, exatamente, de outro aspecto de disfarce, de falta de autenticidade. Só
aos poucos em relação aos nossos sentimentos, capazes de ter consciência deles. Então, demo, não
os disfarçando, nem atribuindo-os a outras pessoas. Eis por que admiro tanto a maneira como a
senhorita Shiel expôs sua zanga e frustração, sem, de modo algum, disfarça-la.




Confiança no organismo humano

Seria de todo improvável pudesse alguém assumir as três atitudes descritas ou aventurar-se a
ser um facilitador de aprendizagem se não começasse por ter


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“Qualquer um pode zangar-se- isto é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na medida certa, na hora certa, pelo motivo certo e da maneira certa- não é fácil”

-- (Aristóteles).


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