O RELACIONAMENTO INTERPESSOAL NA FACILITAÇÃO DA APRENDIZAGEM COMPLETO
uma profunda confiança no organismo
humano e nas suas potencialidades. Se desconfio do ser humano, antes devo empanziná-lo de
informações da minha própria escolha, a fim de que não tome um caminho errado. Mas se acredito
na capacidade de cada um desenvolver sua potencialidade individual, proporcionar-lhe-ei todas as
oportunidades e lhe permitirei a escolha de vias próprias e sua direção pessoal na aprendizagem.
É claro, acredito eu, que os três professores cujo trabalho descrevi nos capítulos anteriores
contavam com a tendência, nos seus alunos, de se atualizarem, de se completarem. Basearam-se na
hipótese de que os estudantes, em contato real com problemas para eles relevantes, querem
aprender, aspiram a progredir, procuram descobrir, empenham-se em dominar, desejam criar,
encaminhar-se para a autodisciplina. O professor trata de estabelecer certo clima na sala de aula,
certa qualidade de relacionamento pessoal com seus alunos, que lhes permita desfrutar dessas
tendências naturais.
Viver a Incerteza da Descoberta
Creio ser preciso dizer que essa visão do homem, basicamente confiante, assim como as
mencionadas atitudes em relação aos alunos, não surgem subitamente, de algum modo miraculoso,
no facilitador de aprendizagem. Ao contrário, dependem de riscos a assumir, da ação a exercer sobre
hipóteses experimentais. Isto está bem claro no capítulo em que descrevemos o trabalho da senhorita
Shiel; atuando sob hipóteses de que não estava segura, arriscando-se incertamente por novas vias
de relacionamento com seus alunos, acabou descobrindo que os novos processos se confirmavam
através do que ocorreu na sua sala de aula. Estou convencido de que o Professor Faw passou por
idêntico tipo de incerteza. Quando a mim, só posso afirmar que iniciei a minha carreira com a firme
convicção de que os indivíduos devem ser motivados pelo seu próprio bem; se assumi as atitudes
descritas, com a confiança nos indivíduos nelas implícitas, foi apenas porque as considerei, mais que
outras quaisquer, capazes de gerar aprendizagem e produzir mudanças construtivas. Daí a minha
crença de que só correndo o risco de novos caminhos pode o professor descobrir por si mesmo, se é
ou não eficiente, se aqueles novos caminhos lhe convêm ou não.
Chegarei, assim, a uma conclusão, com fundamento nas experiências dos diversos facilitadores
e de seus alunos até esta altura mencionados. Quando um facilitador cria, mesmo em grau modesto,
um clima de sala de aula caracterizado por tudo que pode empreender de autenticidade, apreço e
empatia; quando confia na tendência construtiva do indivíduo e do grupo; descobre, então, que
inaugurou uma revolução educacional. Ocorre uma aprendizagem de qualidade diferente, um
processo de ritmo diverso, com maior grau de penetração. Sentimentos - positivos, negativos, difusos
- tronam-se uma parte da experiência de uma sala de aula. Aprendizagem transforma-se em vida, e
vida mais existencial. Dessa forma, o aluno, com entusiasmo, às vezes, relutantemente, em outros
casos, comporta-se com alguém que está passando por uma aprendizagem, por uma certa mudança.
A Evidência
Já estou a ouvir certos murmúrios: "Belo quadro - muito tocante. Onde, porém, a sólida
evidência? Que sabe disso o senhor?" Gostaria de voltar-me para essa evidência. Não é
esmagadora, mas consistente. Não é perfeita, mas sugestiva.
Em primeiro lugar, no campo da Psicoterapia, Barrett-Lennard (1962) deu impulso a um
instrumento pelo qual se poderiam medir qualidades atitudinais como estas: genuidade ou
congruência, apreço ou consideração positiva, empatia ou compreensão. Tal instrumento foi aplicado
tanto ao cliente quanto ao terapeuta, de modo a termos a percepção do relacionamento tanto por
parte do terapeuta quanto do cliente a quem aquele tenta ajudar. Para dar notícia, muito
resumidamente, de alguns achados, pode-se dizer que os clientes que, eventualmente, mostraram ter
passado por maior mudança terapêutica, en
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