O RELACIONAMENTO INTERPESSOAL NA FACILITAÇÃO DA APRENDIZAGEM COMPLETO
quanto medida por vários instrumentos, perceberam mais
essas qualidades no seu relacionamento com o terapeuta do que aqueles que, eventualmente,
mostraram menos mudança. Significativo, por igual, é que essa diferença na percepção do
relacionamento evidenciava-se logo após a quinta entrevista, com a previsão de mudança posterior
ou de ausência de mudança em terapia. Ademais, verificou-se que a percepção e a experiência do
relacionamento, por parte do cliente, prestavam-se melhor à previsão do resultado final do que a
percepção por parte do terapeuta. O estudo original de Barrett-Lennard foi-se ampliando e veio a ser
confirmado, no geral, por outras pesquisas.
Assim, podemos citar, prudentemente e com ressalvas que seriam inapropriadas para o
presente volume, que se, em terapia, o cliente percebe o seu terapeuta como alguém real e genuíno,
que o estima e tem apreço por ele, e empaticamente o compreende, então, a auto-aprendizagem e a
mudança terapêutica são facilitadas.
Agora, outra linha de evidência, desta vez intimamente relacionada com a educação. Emmerling
(1961) observou que, quando se pediu a professora de segundo grau que identificassem os
problemas que lhes pareciam mais urgentes, podia-se dividi-los em dois grupos. Primeiro, os que
consideram os seus problemas mais sérios sob a forma, por exemplo, de: "fazer com que os alunos
participem"; "aprender novos métodos de ajudar os alunos a desenvolverem o seu potencial máximo";
"levá-los a exprimirem suas necessidades e interesses individuais"; este se incluem no que
Emmerling chamou o grupo "aberto" ou "orientado positivamente". Quando se aplicou aos alunos de
tais professores o inventário de Relacionamento de Barrett-Lennard, verificou-se que eles eram tidos
como mais significativamente reais, mais receptivos, mais empáticos do que o outro grupo de
professores a que nos vamos referir.
A segunda categoria de professores incluiu aqueles que tendiam a ver seus mais urgentes
problemas em termos negativos, um termos de deficiências e inaptidão dos alunos. Para eles, os
problemas urgentes eram tais como estes: "tentar ensinar a crianças incapazes até mesmo de seguir
instrução"; "ensinar a crianças que não querem aprender"; "a alunos incapazes de fazer o trabalho
exigido para a sua aprovação"; "conseguir fazer com que as crianças ouçam". Não surpreenderia
provavelmente o fato de que, quando os alunos de tais professores preencheram o inventário de
Relacionamento, viram os seus mestres demonstrando relativamente pouca autenticidade,
receptividade, confiança, compreensão empática.
Daí podemos dizer que o professor cuja orientação o leva a libertar a potencialidade do aluno
exibe, em alto grau, aquelas qualidades de atitude que facilitam a aprendizagem. Os que orientam no
sentido dos defeitos dos seus alunos demonstram menos tais qualidades.
Pequeno estudo experimental de Bills (1966) amplia o significado dessas verificações.
Selecionou-se um grupo de oito professores, quatro dos quais tidos como bem adaptados e eficientes
por seus superiores, e que mostravam uma orientação mais positiva para com seus problemas. Os
outros quatro, considerados desadaptados e, também, com orientação mais negativa, tal como ficou
exposto acima. Os alunos de uns e de outros foram convidados a preencher o Inventário de
Relacionamento de Barrett-Lennard, registrando a sua percepção quanto ao relacionamento do
professor para com eles. Isso fez com que os alunos ficassem satisfeitos. Os que viam o seu
relacionamento com o professor como bom, sentiram-se felizes por descrevê-lo. Os que o
consideravam desfavorável gostaram de ter tido, pela primeira vez, a oportunidade de especificar as
razões por que o relacionamento não era satisfatório.
Os professores mais eficientes obtiveram o mais alto cômputo nas várias atitudes medidas pelo
Inventário; foram considerados mais autênticos, de nível mais elevado quanto à estima a seus alunos,
de maior compreens
» leia todas as notícias
Dolar/ Moedas/ Bolsas/ Juros