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Quem tem a vontade firme modela o mundo a seu bel-prazer. A força que vosso espírito exerce sobre o corpo é maravilhosa. Seja, portanto, o espírito, o seu senhor.

-- Antonio Paiva Rodrigues


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nessas placas. Quando olhamos essas
peças de argila levadas por um rio que não existe mais, observando as incisões delicadas que
retratam animais transformados em pó há milhares e milhares de anos, talvez uma voz seja
evocada... palavras pronunciadas por um, fazendeiro cuidadoso no tempo em que os desertos
eram verdes...
Tais marcas indicam a presença da emoção do sujeito enquanto descreve. Repare que
ele faz uma evocação afetiva, por meio da percepção sensorial (os sentidos da visão e da audição, o segundo com existência imaginária), das mesmas placas descritas no primeiro
parágrafo.


c) Objetividade e subjetividade: descrição e funcionalidade
As placas, que no primeiro parágrafo foram caracterizadas como os exemplos mais
antigos de escrita que conhecemos, passam a partir do segundo a representar mais do que
isso: elas se transformam em imagem do prolongamento e da preservação da memória dos
primórdios do nosso tempo, o que permite ao leitor sentir-se parte do processo de decifrá-las.
Assim, enquanto o parágrafo de descrição objetiva nos faz perceber impessoalmente
o objeto descrito, o de descrição subjetiva pessoaliza o contato que temos com ele, trazendo
para o presente de nossa leitura o passado longínquo do surgimento do ato de ler.
Este procedimento no qual objetividade e subjetividade se mesclam, aumentando o
poder intelectivo e ao mesmo tempo sugestivo do texto, é reforçado, no terceiro parágrafo, pela
imagem do próprio sujeito lendo.
Neste parágrafo ele se transforma ao mesmo tempo em sujeito e objeto do texto e, de
maneira concreta, realiza a descrição do seu ato de ler (com abundância de detalhes
descritivos).
Desta forma, quer dizer, através de um parágrafo predominantemente objetivo ao qual
se seguem outros dois, predominantemente subjetivos, o autor realiza o objetivo não apenas
de transmitir intelectualmente, mas de mostrar sensorialmente ao leitor a permanência da
leitura ao longo da história humana. Graças a seu ponto de vista de proximidade em relação ao
objeto, fica registrada, com intensa expressividade, a relevância da leitura para a humanidade,
através dos tempos e dos espaços.
Exemplo:
Tal como meu nebuloso ancestral sumério lendo as duas pequenas placas naquela tarde
inconcebivelmente remota, eu também estou lendo, aqui na minha sala, através de séculos e mares.
Sentado à minha escrivaninha, cotovelos sobre a página, queixo nas mãos abstraído por um momento da
mudança de luz lá fora e dos sons que se elevam da rua, estou vendo, ouvindo, seguindo (...) uma
história, uma descrição, um argumento...


Conclusões importantes
A leitura detalhada e comentada desta descrição permite-nos perceber que a presença da
objetividade e da subjetividade em nossos textos descritivos pode ser mesclada, predominando
o ponto de vista exigido por nossos objetivos e também pelos contextos de produção textual.
Atentos a tais critérios, precisamos saber conciliar informação objetiva e impessoal com marcas
de pessoalidade, de expressividade. Precisamos, enfim, trabalhar o rigor, a exatidão e a
fidelidade ao real, isto é, a necessidade de esclarecer, convencendo, em sintonia com a de
impressionar, agradando.


4 - Elementos constitutivos do texto descritivo
A visão, a audição, o olfato, o tato e o paladar - nossos cinco sentidos - constituem os
alicerces da descrição. A eles acrescentamos nossa imaginação criadora.
Na medida em que se ancora na percepção sensorial, o texto descritivo explora os
cinco sentidos, seja isoladamente, seja confundindo-os, isto é, utilizando-se de sinestesias.


"Não se esqueça de que percebemos ou observamos com todos os sentidos e não apenas com os
olhos. Haverá sons, ruídos, cheiros, sensações de calor, vultos que passam, mil acidentes, enfim, que
evitarão se torne a descrição uma fotografia pálida daquela riqueza de impressões que os sentidos
atentos podem colher".
Othon M. Garcia - Comunicação em Prosa Moderna - Rio de Janeiro, Editora d


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“Qualquer um pode zangar-se- isto é fácil. Mas zangar-se com a pessoa certa, na medida certa, na hora certa, pelo motivo certo e da maneira certa- não é fácil”

-- (Aristóteles).


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